Rumos do ensino no país são debatidos em Seminário de Educação

Quais serão os rumos da Educação diante de possíveis mudanças na linha política brasileira a partir de 2019? Este foi um dos principais questionamentos levantados pelos servidores do Campus Rio Pomba durante o 4º Seminário de Educação, no dia 7 de novembro. O evento foi organizado pelo Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação, Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) com apoio do IF Sudeste MG e contou com palestras e mesas-redondas.

Para a doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atual professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Eliza Bartolozzi, “este não é um momento de nos iludirmos e de sim, de estarmos firmes em nossos ideais para mantermos a escola laica, pública e gratuita. Viveremos um longo inverno, que deixará marcas. Depois a primavera será nossa”.

Responsável pela palestra de abertura, ela teceu uma reflexão sobre o futuro do ensino no Brasil, utilizando três elementos: moral, democracia e educação. Para Eliza, a relação entre política e moral não é uma novidade. Porém, neste momento, a moral que está apontando os rumos que devem ser tomados pela política. “Basta lembrar as justificativas dos votos dos parlamentares na votação do impeachment da Dilma. A maioria falou ‘pela minha família’, ‘em nome da religião’.”

Ela acredita que os defensores do ultra liberalismo estão com um discurso que convence a população a não acreditar que a democracia seja a forma de governo mais adequada. “Vivemos um fenômeno de anti-política, que começou nos anos 90, com a defesa da redução do papel do Estado. Nossa democracia está desacreditada porque sempre esteve atrelada ao liberalismo, que desqualifica os anseios sociais.”

Ao chegar ao ponto da educação, ela citou a influência deste tipo de pensamento, utilizando-se da teoria de Durkheim. “O objetivo é aplicar os valores dominantes, moderando as minorias. É isto que querem com o projeto ‘Escola sem partido’. Para eles, só assim as pessoas serão felizes.”

Ela explicou que a proposta de reforma do ensino médio tem como meta formar apenas tecnicamente os profissionais, não priorizando o conhecimento. “A escola não ensina competências. Isto se adquire com a prática, com a experiência. A escola dá a formação, o conhecimento que nos humaniza.” Lembrou ainda que o ensino médio integrado aplicado nos Institutos Federais é o mais adequado para a conjuntura do país. “Ele tem dado certo, mesmo com os problemas da integração. Vamos abrir mão deste modelo?”

Assessoria de Comunicação
Campus Rio Pomba
08/11/2018